As declarações de Merval ocorreram durante a análise de informações divulgadas pela colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Segundo a reportagem, Moraes teria procurado diretamente o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões, para tratar da situação do Banco Master, instituição financeira que é alvo de investigação por uma fraude bilionária. As suspeitas envolvem a emissão de carteiras de crédito falsas e a comercialização de ativos inexistentes, o que teria causado prejuízos expressivos ao mercado financeiro.
Para Merval Pereira, o episódio ultrapassa o campo das especulações políticas e atinge o coração da credibilidade do Supremo Tribunal Federal. “É gravíssimo, gravíssimo. É gravíssimo e isso tem que ter um limite, tem que ter um fim”, afirmou o comentarista, ressaltando que cada nova revelação envolvendo interesses privados associados a decisões ou articulações de ministros mina a confiança da população nas instituições. Segundo ele, quando esse tipo de conduta vem à tona, o STF passa a ser visto com desconfiança pelo cidadão comum.
O jornalista destacou ainda que, diante da gravidade das acusações, Alexandre de Moraes deveria se manifestar oficialmente e de forma contundente. Na avaliação de Merval, caso as informações não sejam verdadeiras, o ministro teria a obrigação de negá-las de maneira veemente e apresentar esclarecimentos claros. “Ele tem que se pronunciar, tem que provar que não é verdade, tem que recusar isso de maneira veemente, porque ele perde completamente a credibilidade com a divulgação de uma história dessa”, declarou.
Outro ponto enfatizado por Merval Pereira foi a credibilidade da fonte das informações. Ele lembrou o histórico profissional de Malu Gaspar, ressaltando que se trata de uma jornalista reconhecida pela apuração rigorosa e pela confiabilidade de suas reportagens. Segundo o comentarista, a colunista não costuma publicar informações sensíveis sem respaldo sólido. “Ela é uma jornalista muito bem informada, muito séria, e não publica coisas que não tenham fundamento. Foi tudo relatado com detalhes e não foi refutado por ninguém”, observou.
De acordo com a reportagem, as informações sobre os contatos entre Moraes e o presidente do Banco Central teriam sido confirmadas por seis fontes diferentes ao longo das últimas três semanas. Uma dessas fontes, inclusive, teria ouvido do próprio ministro sobre o encontro presencial com Gabriel Galípolo. Apesar disso, tanto Moraes quanto o presidente do BC teriam sido procurados para comentar o caso, mas não responderam aos questionamentos da imprensa até o momento da publicação.
O caso Banco Master surge em um contexto já marcado por forte tensão política e institucional. Alexandre de Moraes tem sido uma figura central em decisões de grande impacto, especialmente em processos envolvendo políticos, militares e investigações relacionadas a atos considerados antidemocráticos. Isso faz com que qualquer suspeita de atuação fora dos limites institucionais ganhe proporções ainda maiores, alimentando críticas de setores da sociedade e do meio político.
Especialistas ouvidos por analistas políticos apontam que, para além das consequências jurídicas, o episódio pode aprofundar a crise de confiança entre os Poderes. Um eventual pedido de impeachment de um ministro do STF, embora raro e politicamente complexo, teria efeitos significativos sobre o equilíbrio institucional do país. Ainda que o processo não avance, o simples debate público sobre essa possibilidade já revela o grau de desgaste enfrentado pela Corte.
Enquanto isso, o silêncio das autoridades diretamente envolvidas contribui para a ampliação das especulações. A ausência de explicações oficiais mantém o tema em evidência e reforça a cobrança por transparência. Para críticos, a falta de uma resposta clara abre espaço para interpretações de que haveria algo a esconder; para aliados do ministro, trata-se apenas de mais um episódio explorado politicamente.
O fato é que as declarações de Merval Pereira elevaram o tom do debate e colocaram o caso Banco Master no centro das discussões nacionais. A expectativa agora recai sobre os próximos passos do STF, do Banco Central e do próprio ministro Alexandre de Moraes, em um cenário no qual a credibilidade das instituições volta a ser colocada à prova.
