General Paulo Sérgio sobe o tom sobre suspensão da compra de blindados e aplica lição

Caio Tomahawk


O ministro da Defesa, General Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, destacou a importância do estímulo à indústria brasileira de Defesa não só para inibir potenciais agressões contra a soberania nacional, mas também para a geração de emprego e renda.

“Sabemos o quanto a indústria de Defesa é fundamental para a necessária dissuasão de eventuais ameaças e para o desenvolvimento econômico do país”, disse o ministro ao participar da abertura da 7ª Mostra BID - Base Industrial de Defesa do Brasil.

A declaração vem à tona logo depois do Tribunal Regional Federal de Brasília (TRF-1) suspendeu a compra de 98 blindados italianos pelo Exército Brasileiro.

O desembargador Wilson Alves de Souza atendeu o pedido de um ex-assessor de Antonio Palocci, considerando o investimento uma “medida irrisória” por representar a renovação de menos de 5% da frota em tempos de paz.

Em nota, o Exército informou que está cumprindo a decisão judicial enquanto toma “as medidas cabíveis”. Em um comunicado interno, o chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Júlio César Baltieri, afirma que a compra das viaturas Centauro II 8 x 8 com recursos próprios faz parte do projeto de modernização que prevê a substituição de parte da atual frota de blindados Cascavel EE9, cuja vida útil chegou ao fim, após quatro décadas de uso. 

“Dessa forma, a compra se justifica por atender à evidente necessidade de atualização tecnológica desse tipo de material; para conferir a indispensável segurança aos nossos soldados em treinamentos e operações e para permitir que a Força Terrestre possa desempenhar suas atribuições contando com condições adequadas para o que se propõe”, sustenta Baltieri, endossando os argumentos do ministro da Defesa ao acrescentar que “o processo – que vem sendo conduzido há anos e é composto de várias etapas - contribuirá internamente para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa, com a criação de novos empregos e a participação efetiva de empresas nacionais na produção da viatura em território nacional”.

Ainda de acordo com o general, o contrato inicial, que seria assinado contemplava a entrega ao Exército de apenas duas amostras do blindado, para testes.

“Somente após a aprovação desses protótipos o contrato principal será assinado, visando à obtenção de um total de 98 veículos ao longo de 15 anos, de acordo com a disponibilidade orçamentária da Força Terrestre, totalizando um investimento estimado de R$ 3,3 bilhões”.

O ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Alvim, e o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, durante a abertura da 7ª Mostra BID Brasil, evento do segmento de defesa e segurança, em Brasília.

Ainda durante a abertura da 7ª BID Brasil, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Cesar Alvim, afirmou que as duas pastas vêm procurando atuar conjuntamente para que a capacitação das Forças Armadas impulsione o país a buscar autonomia tecnológica.

“Construímos uma agenda comum de ciência, tecnologia e inovação que só se materializou em 2021, quando fomos a campo e os investimentos voltaram a irrigar as demandas em Defesa. É o que gostaríamos? Ainda estamos longe do ideal, mas começamos. E temos que transformar isso em um processo de longo prazo, em uma ação de Estado”, defendeu Alvim, afirmando ter conversado sobre essas ações com os próprios comandantes das três Forças.

“Temos acompanhado de perto, nas três Forças, diversas iniciativas que valorizam a engenharia brasileira, sempre articuladas com o setor empresarial brasileiro. Isso se chama soberania tecnológica.”

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