Abin tentou criar provas para vincular Moraes e Gilmar Mendes ao PCC

Caio Tomahawk


Escândalo na Abin: Operação "Portaria 157" Tenta Vincular Ministros do STF ao PCC

Uma investigação da Polícia Federal revelou uma suposta tentativa de instrumentalização da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para monitoramento ilícito de alvos políticos, com destaque para um núcleo específico denominado "Operação Portaria 157". Segundo informações da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do relatório da PF, esse grupo dentro da Abin buscava vincular os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

A Operação Vigilância Aproximada foi deflagrada para apurar essas graves acusações, levando a 21 buscas e apreensões, incluindo o policial federal e deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que, segundo as investigações, teria participado das supostas ações enquanto era diretor-geral da Abin entre julho de 2019 e março de 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro.

A operação da Abin, denominada "Portaria 157", inicialmente teria como objetivo obter informações sobre a ONG Anjos da Liberdade, suspeita de relação com o PCC devido a reclamações apresentadas à Corte Interamericana de Direitos Humanos sobre violações de direitos no Sistema Penitenciário Federal (SPF). No entanto, a PF descobriu que o verdadeiro intento era político, visando associar não apenas deputados federais, mas também os ministros do STF ao PCC.

Documentos encontrados, como o arquivo intitulado "Prévia Nini.docx.", revelam anotações que indicam a tentativa de associação de Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e outros parlamentares à organização criminosa. A Polícia Federal considerou grave o desvirtuamento da operação para fins políticos.

O ministro Alexandre de Moraes, autorizando as buscas e apreensões, classificou a situação como gravíssima e apontou que a operação da Abin na gestão de Ramagem buscava "criar fato desapegado da realidade". As equipes da PF realizaram buscas no gabinete de Alexandre Ramagem na Câmara dos Deputados e em seu apartamento funcional, como parte da Operação Vigilância Aproximada.

Além de Ramagem, outros policiais federais são suspeitos de integrar uma organização criminosa que teria utilizado a Abin de maneira ilegal para monitorar a geolocalização de diversos alvos, incluindo servidores públicos, políticos, policiais, advogados, jornalistas e juízes.

As revelações geraram grande impacto, colocando em cheque a integridade e imparcialidade da Abin, uma agência que deveria primar pela segurança e inteligência do país. O escândalo também levanta questionamentos sobre a autonomia das instituições e a possibilidade de manipulação política em setores estratégicos.

Este episódio intensifica a tensão política no Brasil, já marcada por divisões e desconfianças entre diferentes esferas do governo. As próximas etapas da investigação, assim como as reações de autoridades e da sociedade civil, serão cruciais para esclarecer as dimensões e implicações desse escândalo na Abin.

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