O Cabo, o Soldado e o Coronel estão presos e o STF funcionando, ironiza Moraes


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes trouxe à tona uma declaração antiga do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nesta quarta-feira (22), durante um seminário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre inteligência artificial, democracia e eleições. A declaração de Eduardo, feita em 2018, sugeria que seria necessário apenas "um soldado e um cabo" para fechar o STF. Em uma provocação mordaz, Moraes afirmou que agora "o cabo, o soldado e o coronel estão presos" e que a Suprema Corte continua funcionando normalmente.


A frase de Moraes, embora não mencionasse diretamente Eduardo Bolsonaro, foi uma clara referência à polêmica declaração do deputado, que ganhou notoriedade durante a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. Na ocasião, Eduardo foi questionado sobre a possibilidade de o STF tentar impedir a posse de seu pai, Jair Bolsonaro, caso este fosse eleito. Em resposta, Eduardo afirmou que o STF precisaria "pagar para ver" e, de forma provocativa, sugeriu que bastaria enviar "um soldado e um cabo" para fechar a Suprema Corte.


Durante o seminário, Moraes também abordou os atos radicais ocorridos em 8 de janeiro, quando manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília. Ele mencionou as investigações que apontam a participação de militares nesses eventos e destacou que, apesar das tentativas de confrontar o Judiciário, o STF segue firme em suas funções. "Todos se recordam que bastava um cabo e um soldado para fechar o Supremo Tribunal Federal. O cabo, o soldado, o coronel, estão todos presos. E o Supremo Tribunal Federal aberto, e funcionando. Mas se disse que bastaria um cabo e um soldado", afirmou Moraes.


O ministro prosseguiu comentando o que descreveu como um confronto ao Judiciário promovido pelo "novo populismo". Segundo ele, a invasão de janeiro foi uma tentativa de desestabilizar o poder judicial, um movimento que ele associou ao populismo emergente no país. "Como não foi um cabo e um soldado, foram milhares de pessoas que destruíram o prédio do Supremo Tribunal Federal. Se foi para o confronto ao Judiciário, para tentar, exatamente, garantir esse novo populismo", declarou Moraes.


A provocação de Moraes não passou despercebida e gerou repercussão imediata. Eduardo Bolsonaro, que desde a declaração de 2018 tem sido uma figura controversa no cenário político brasileiro, se viu novamente no centro de um debate acalorado sobre a relação entre o Executivo e o Judiciário. A fala de Moraes reflete a tensão constante entre os poderes no Brasil, especialmente no contexto das recentes investigações e prisões de figuras militares e políticas envolvidas nos atos antidemocráticos.


A declaração de Eduardo Bolsonaro em 2018 foi vista por muitos como uma ameaça ao Estado de Direito e à independência do Judiciário. Na época, ele afirmou: "Aí, já está encaminhando para um estado de exceção. O STF vai ter que pagar para ver. E aí, quando ele pagar para ver, vai ser ele contra nós. Será que eles vão ter essa força mesmo? O pessoal até brinca lá: se quiser fechar o STF, você sabe o que faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo". A frase, que misturava desdém e desafio, simbolizou a retórica combativa do bolsonarismo contra instituições estabelecidas.


A resposta de Moraes, ao ressuscitar essa fala, sublinha a resistência do Judiciário frente a ataques e tentativas de minar sua autoridade. A ironia de Moraes, apontando que aqueles que poderiam simbolicamente "fechar" o STF estão agora presos, serve tanto como uma reafirmação do poder judicial quanto como um aviso aos que subestimam sua resiliência.


O contexto atual, com investigações em andamento e a prisão de envolvidos nos atos de 8 de janeiro, reflete um Brasil dividido e em busca de estabilidade. As palavras de Moraes ressaltam a importância da independência judicial e a necessidade de proteger as instituições democráticas contra ameaças, sejam elas físicas ou retóricas. A provocação feita pelo ministro do STF, durante um evento voltado para a discussão de temas cruciais como inteligência artificial e eleições, demonstra a interseção constante entre política e justiça no Brasil contemporâneo.

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