Senador vaza áudio de Palocci sobre Moraes e presos políticos (veja o vídeo)

Na última sessão do plenário, o senador Cleitinho gerou polêmica ao expor um áudio comprometedor do ex-ministro Antonio Palocci e fazer duras críticas ao tratamento desigual dispensado a presos políticos conservadores em comparação aos condenados por corrupção. Com uma audiência de mais de 4,2 mil visualizações em apenas 15 horas, o discurso de Cleitinho reverberou nas redes sociais e na mídia.


O senador iniciou seu pronunciamento lamentando a reincorporação de políticos condenados por corrupção ao cenário político, muitas vezes com auxílio do judiciário. "Esses caras que roubaram do país, roubaram de estado, roubaram de município não têm que ter vez e nem chance de ser candidato, não, gente. Isso é o mínimo da administração pública aqui, da política do Brasil, que deveria ser exemplo para isso," afirmou Cleitinho com indignação.


Em seguida, o senador leu um relato perturbador sobre uma menina de 15 anos submetida a medidas socioeducativas sob a acusação de tentar dar um golpe de estado. Cleitinho usou esse exemplo para evidenciar o tratamento desproporcional entre cidadãos comuns e figuras políticas poderosas. "O que me chama a atenção é que ela tem 15 anos e está tendo essas medidas socioeducativas. Eu queria chamar a atenção de vocês aqui: STJ anula a pena de Palocci, mesmo depois de o ex-Ministro confessar seu crime," ressaltou.


Para reforçar sua argumentação, Cleitinho reproduziu um áudio onde Palocci, ex-ministro do governo Lula, fala abertamente sobre os crimes que cometeu. "Essa adolescente de 15 anos está com medidas socioeducativas. Agora, para esse cidadão aqui que é um réu confesso, que deveria estar na cadeia, o STJ anula a pena de Palocci mesmo depois de o ex-Ministro confessar seu crime. Esse é o nosso país," concluiu Cleitinho, evidenciando a contradição entre as punições impostas a cidadãos comuns e a políticos corruptos.


O senador também reagiu às notícias de que o ministro Paulo Pimenta, do governo Lula, exigiu uma investigação contra ele por se opor ao governo. Em tom desafiador, Cleitinho declarou: "Eu quero falar aqui que eu não tenho medo de nenhum de vocês! Eu vou continuar tocando o dedo na ferida aqui. Inclusive, parece que exonerou agora o Ministro da Comunicação, o tal do Paulo Pimenta. Eu estava doido, Paulo Pimenta, para poder convocá-lo aqui ao Senado para olhar na sua cara, para você falar que eu fiz fake news. Eu queria muito essa oportunidade, porque quem não deve não teme. Eu não sou mentiroso, rapaz!"


Cleitinho ainda relatou o impacto pessoal que a ameaça de investigação causou em sua família, mencionando o medo de seu filho de que ele fosse preso. Sua fala foi recebida com solidariedade por vários senadores. O senador Sérgio Moro expressou preocupação com a criminalização das críticas ao governo, afirmando: "Quando o Governo começa a transformar qualquer crítica, qualquer questionamento em fake news, nós temos um problema. E, mais ainda, quando vem uma ameaça a um Parlamentar, que, salvo engano, tem imunidade material por palavras e votos. E, se nem um Parlamentar está seguro, como é que fica a população?"


O senador Rodrigo Cunha também criticou a situação, destacando casos de políticos corruptos que retornam aos seus cargos graças a decisões judiciais controversas. Ele exemplificou com um caso em seu estado onde um político condenado por corrupção recuperou seu cargo devido a uma decisão monocrática do STF. "Uma decisão monocrática do STF fez com que ele retornasse, fez com que as provas adquiridas pela Polícia Federal não fossem válidas e faz com que a Polícia Civil, que ele comanda, tenha a obrigação de investigá-lo. Onde é que nós estamos?" indagou Cunha.


Por sua vez, o senador Flávio Bolsonaro ridicularizou as acusações de "fake news" contra opositores do governo, afirmando que as críticas são baseadas em fatos e opiniões legítimas. "Sempre pergunto: 'Qual foi a fake news que foi cometida?' E ninguém aponta uma, porque, via de regra, são fatos incontestes ou então opiniões que nós temos que desagradam o atual governo, que usa o aparato público para perseguir os seus opositores políticos," enfatizou Bolsonaro.


O discurso inflamado de Cleitinho e o apoio de outros senadores refletem um crescente descontentamento com o que muitos percebem como um sistema judicial injusto e politicamente motivado. A situação promete desencadear novos debates sobre a integridade do sistema político e judicial brasileiro.

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