Em declarações contundentes, Sóstenes afirmou que Moraes se comporta como um “ditador psicopata que manda nos Três Poderes”, acusando o ministro de praticar um “abuso absoluto de poder” ao derrubar o que classificou como a vontade soberana dos parlamentares e, consequentemente, dos eleitores.
Decisão de Moraes anula ato da Câmara e reacende embate institucional
O impasse teve início na madrugada, quando o plenário da Câmara rejeitou a cassação de Zambelli por não alcançar o mínimo de 257 votos exigidos para a perda de mandato. A votação, acompanhada com grande expectativa, encerrou-se com um placar insuficiente para retirar a deputada do cargo, o que, em condições normais, encerraria o processo político-disciplinar.
Horas depois, no entanto, Alexandre de Moraes proferiu decisão anulando o ato da Câmara. Segundo o ministro, o resultado da votação seria “incompatível com o que determina a Constituição”, configurando violação aos princípios da legalidade, moralidade e impessoalidade. Ele declarou nulo o ato da Casa, alegando haver desvio de finalidade e sustentando que o Parlamento teria tentado frustrar o cumprimento de uma determinação judicial anterior.
A decisão provocou imediata reação na classe política, sobretudo entre parlamentares da oposição e aliados de Carla Zambelli, que enxergam no movimento de Moraes uma interferência direta no Poder Legislativo.
“Ato de usurpação institucional”, diz Sóstenes
Para Sóstenes Cavalcante, a intervenção do ministro representa uma ruptura grave do equilíbrio democrático. O deputado não economizou palavras e classificou a decisão como um ataque frontal à autonomia do Parlamento.
— Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder. O Brasil viu um ato de usurpação institucional: um homem passando por cima do Parlamento e da vontade do povo. Isso fere a democracia no seu coração — declarou.
Em tom ainda mais severo, o líder do PL acusou Moraes de agir como uma figura autoritária, extrapolando os limites constitucionais e assumindo, na prática, um comando sobre todos os poderes:
— “Moraes é um ditador psicopata que manda nos Três Poderes”, disparou o parlamentar, expressando a crescente insatisfação de sua bancada com o comportamento do ministro do STF.
Contexto político e repercussão no Congresso
A cassação de Carla Zambelli já era tema de grande tensão política nos últimos meses. Aliada de Jair Bolsonaro e figura central nas disputas entre direita e esquerda no país, Zambelli tornou-se alvo de processos judiciais que culminaram na análise pela Câmara.
O fato de o plenário rejeitar a cassação alimentou discursos de defesa da autonomia legislativa, mas a decisão subsequente de Moraes reverteu completamente o cenário, intensificando o embate entre os poderes.
Nos corredores do Congresso, parlamentares comentavam que a medida poderá desencadear novas reações políticas, inclusive tentativas de barrar decisões do Supremo ou pressionar pela revisão de prerrogativas constitucionais. Alguns deputados afirmaram, sob reserva, que a decisão acendeu um “alerta vermelho” sobre a escalada de conflitos institucionais.
PL articula reação política
Integrantes do PL já discutem possíveis respostas formais à decisão do ministro, embora reconheçam que o STF costuma manter firmeza em decisões envolvendo parlamentares investigados. Líderes da bancada avaliam tanto ações jurídicas quanto iniciativas no campo político, como discursos no plenário e mobilização de base nas redes sociais.
A fala de Sóstenes Cavalcante foi rapidamente repercutida por aliados de Bolsonaro e ativistas conservadores, que enxergam em Moraes uma figura central de oposição ao grupo político. Nas redes sociais, a cassação de Zambelli se tornou um dos assuntos mais comentados do dia, com manifestações polarizadas.
O debate sobre limites institucionais segue no centro da crise
A situação envolvendo Carla Zambelli, a reação do Congresso e a intervenção do Supremo reacendem o debate sobre os limites de atuação dos poderes da República. Juristas divergem sobre até que ponto o STF pode anular decisões internas do Legislativo, especialmente quando envolvem julgamentos políticos.
Enquanto aliados do governo e defensores do ministro Moraes sustentam que a Constituição teria sido violada pela Câmara, opositores afirmam que o Judiciário estaria “invadindo competências” e relativizando o próprio sistema democrático.
O episódio, mais uma vez, evidencia a crescente tensão entre Supremo, Congresso e oposição — um cenário que promete novos desdobramentos nos próximos dias.
