O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou nesta sexta-feira (19) a realização de uma cirurgia no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada após a Polícia Federal concluir, por meio de laudo médico, que Bolsonaro apresenta quadro de hérnia inguinal bilateral e necessita de reparo cirúrgico. O caso ganhou grande repercussão política e jurídica, especialmente pelo contexto em que o ex-presidente se encontra atualmente.
De acordo com as informações, a Polícia Federal atestou a necessidade da intervenção médica, ressaltando que o procedimento é indicado para evitar agravamento do quadro clínico. Com isso, Moraes deu aval para que a cirurgia seja realizada, estabelecendo, no entanto, que a defesa do ex-presidente informe previamente a programação e a data pretendida para o procedimento.
Após a comunicação formal da defesa, o processo será encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que deverá se manifestar sobre o caso. Embora a autorização tenha sido concedida, o trâmite segue os protocolos legais habituais, já que Bolsonaro é alvo de investigações que tramitam sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes no STF.
A decisão ocorre em meio a um cenário de forte tensão política. Jair Bolsonaro, que governou o Brasil entre 2019 e 2022, tem enfrentado uma série de inquéritos e ações judiciais desde que deixou a Presidência da República. Seus apoiadores frequentemente acusam o Supremo Tribunal Federal, especialmente o ministro Moraes, de adotar medidas excessivas e persecutórias contra o ex-presidente e seus aliados políticos.
Por outro lado, integrantes do Judiciário e aliados do atual governo sustentam que todas as decisões tomadas no âmbito do STF seguem rigorosamente os critérios legais e visam garantir o cumprimento da lei. No caso específico da cirurgia, fontes jurídicas ressaltam que a autorização demonstra que não há impedimento ao acesso de Bolsonaro a cuidados médicos, mesmo diante das investigações em curso.
A hérnia inguinal bilateral é uma condição que pode causar dores intensas e limitações físicas, sobretudo quando não tratada adequadamente. Bolsonaro já passou por diversos procedimentos cirúrgicos desde o atentado sofrido durante a campanha eleitoral de 2018, em Juiz de Fora (MG). Desde então, o ex-presidente relata recorrentes problemas de saúde relacionados ao sistema digestivo e abdominal, o que frequentemente o obriga a internações e exames médicos.
Aliados políticos do ex-presidente afirmam que a decisão de Moraes era inevitável diante do laudo técnico apresentado pela Polícia Federal. Para eles, qualquer negativa poderia ser interpretada como afronta a direitos básicos, como o acesso à saúde. Nas redes sociais, apoiadores celebraram a autorização e destacaram que, apesar dos embates políticos, a medida representa um reconhecimento da gravidade do estado de saúde de Bolsonaro.
Críticos, por sua vez, afirmam que o episódio não deve ser explorado politicamente e que a autorização segue o que já é previsto em lei para qualquer cidadão submetido a investigações judiciais. Segundo essa visão, o foco deve permanecer nas apurações em andamento, sem transformar questões médicas em instrumentos de disputa política.
Até o momento, a defesa de Jair Bolsonaro não divulgou a data exata da cirurgia nem o local onde o procedimento será realizado. A expectativa é que a informação seja encaminhada ao STF nos próximos dias, conforme determinado pelo ministro Alexandre de Moraes. Somente após essa comunicação o processo seguirá para análise da Procuradoria-Geral da República.
O episódio reforça o quanto a situação do ex-presidente continua no centro do debate nacional. Mesmo afastado do cargo, Bolsonaro permanece como uma das figuras mais polarizadoras da política brasileira, capaz de mobilizar reações intensas tanto de apoiadores quanto de opositores.
A autorização da cirurgia, embora tenha caráter estritamente médico, acaba se somando a esse contexto de embates institucionais e narrativas conflitantes. Resta agora aguardar os próximos passos formais da defesa, a manifestação da PGR e a definição da data do procedimento, enquanto o caso segue sendo acompanhado de perto pela opinião pública e pelo meio político.
