Chega a "conta" que Lula vai cobrar de Moraes após fim da Magnitsky

Após uma intensa articulação diplomática nos bastidores internacionais, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa a lidar com os desdobramentos políticos internos da retirada do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), do radar da Lei Magnitsky. No Palácio do Planalto, a avaliação predominante é de que o esforço não foi gratuito e que, agora, chegou o momento de cobrar contrapartidas políticas.

Conforme apurado junto a aliados próximos ao presidente, a atuação do governo brasileiro junto à gestão do então presidente norte-americano Donald Trump foi decisiva para evitar que Moraes permanecesse enquadrado na legislação que pune autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção. O sucesso da estratégia trouxe alívio ao ministro do STF, mas também abriu espaço para expectativas claras por parte do Planalto.

Nos bastidores, interlocutores do governo afirmam que Lula espera que Alexandre de Moraes utilize o capital político acumulado nos últimos anos para ajudar o Executivo em uma de suas principais prioridades institucionais: a consolidação da indicação do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal.

Indicado por Lula no fim de novembro, Messias ainda enfrenta um cenário incerto no Senado Federal. Apesar de contar com o apoio formal do governo, a aprovação do nome está longe de ser considerada garantida. A sabatina, que deveria avançar rapidamente, segue travada diante de resistências políticas e disputas internas na Casa.

A maior dificuldade, segundo aliados do Planalto, vem do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O senador defendia que a vaga no STF fosse ocupada por Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado e figura de peso no cenário político nacional. A preferência de Alcolumbre por Pacheco gerou desconforto entre governistas e acabou retardando o andamento do processo.

A leitura feita dentro do Palácio do Planalto é de que, com o afastamento da pressão internacional associada à Lei Magnitsky, Alexandre de Moraes passa a ter maior liberdade para atuar politicamente nos bastidores, sem o risco de novos desgastes externos. Nesse contexto, cresce a expectativa de que o ministro do STF entre em campo para dialogar diretamente com Alcolumbre e também com o próprio Rodrigo Pacheco.

A aposta do governo se baseia na relação próxima que Moraes mantém com ambos os senadores. O magistrado construiu, ao longo dos últimos anos, um canal direto com lideranças do Senado, especialmente durante momentos de tensão institucional entre os Poderes. Essa proximidade ficou ainda mais evidente no último sábado (13), quando Alcolumbre e Pacheco estiveram presentes na festa de aniversário de Moraes, realizada em São Paulo.

O gesto foi interpretado no meio político como um sinal claro de prestígio e abertura ao diálogo. Para aliados de Lula, o encontro social reforça a percepção de que Moraes tem condições de atuar como um mediador informal, capaz de destravar resistências e construir consensos em torno da indicação de Jorge Messias.

Ainda assim, integrantes do governo reconhecem que a movimentação é delicada. Qualquer ação mais explícita pode ser interpretada como interferência indevida entre os Poderes, o que exige cautela e discrição. Por isso, a expectativa é de que as conversas ocorram de forma reservada, longe dos holofotes e sem manifestações públicas.

O desfecho dessa articulação é visto como um teste importante para o governo Lula. Para o Planalto, conseguir transformar um gesto diplomático de grande peso — como a atuação para neutralizar os efeitos da Lei Magnitsky — em resultados políticos concretos no Congresso será um indicativo da força e da capacidade de articulação do Executivo em um cenário cada vez mais fragmentado.

Além disso, a confirmação de Jorge Messias no STF é considerada estratégica para o governo, tanto pela afinidade do indicado com Lula quanto pela disputa de espaço e influência dentro da Suprema Corte. O episódio também reforça como decisões internacionais podem gerar reflexos diretos na política doméstica, criando uma complexa rede de expectativas, cobranças e negociações.

Nos próximos dias, o meio político acompanhará atentamente os movimentos de Alexandre de Moraes e do Senado. Para aliados do presidente, a “conta” política já chegou — resta saber se ela será paga e em quais termos.

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