O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (6) o pedido da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para uma nova remoção imediata ao Hospital DF Star, em Brasília. A solicitação foi apresentada após Bolsonaro sofrer uma queda dentro de sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF), na capital federal, durante a madrugada, episódio que gerou preocupação entre familiares, aliados políticos e apoiadores.
De acordo com a Polícia Federal, o ex-presidente foi atendido inicialmente por médico da própria corporação, que constatou apenas ferimentos leves e não identificou necessidade urgente de encaminhamento hospitalar. Segundo a PF, foi indicada apenas observação clínica no local. Com base nessas informações, Moraes concluiu que não havia justificativa para a transferência imediata de Bolsonaro para uma unidade hospitalar externa.
Em sua decisão, o ministro foi direto ao afirmar que “não há nenhuma necessidade de remoção imediata do custodiado para o hospital, conforme claramente consta na nota da Polícia Federal”. Ao mesmo tempo, Moraes determinou que o laudo médico elaborado pela PF seja anexado aos autos e solicitou que a defesa informe quais exames considera necessários, para que seja avaliada a possibilidade de realização dentro do sistema penitenciário ou sob custódia oficial.
O episódio da queda ocorreu durante a madrugada, enquanto Bolsonaro dormia em sua cela. Conforme relatos, ele teria sofrido uma crise, perdido o equilíbrio e batido a cabeça, o que levantou a suspeita de um possível traumatismo craniano. A defesa do ex-presidente argumentou que, diante do histórico clínico recente e das cirurgias pelas quais Bolsonaro passou nas últimas semanas, o impacto representaria “risco concreto e imediato” à sua saúde, justificando a ida ao hospital.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro reforçou a preocupação ao relatar o ocorrido em suas redes sociais. Após visitar o marido nesta terça-feira, ela afirmou que Bolsonaro “não está bem” e explicou que ele só recebeu atendimento horas depois da queda, quando agentes abriram a cela para o horário de visitas. A declaração teve ampla repercussão e intensificou a pressão pública por novos exames médicos.
Além do atendimento da PF, o médico particular de Bolsonaro, Cláudio Birolini, avaliou o ex-presidente ainda nesta terça-feira. Segundo o médico, o diagnóstico preliminar aponta para um traumatismo cranioencefálico leve, condição que normalmente exige acompanhamento e exames de imagem para descartar complicações. Apesar disso, a avaliação médica inicial não indicou sinais imediatos de maior gravidade.
A decisão de Moraes provocou reações distintas no meio político. Aliados de Bolsonaro criticaram a negativa e defenderam que o ex-presidente deveria ser levado ao hospital para exames mais completos, citando a idade e o histórico de saúde como fatores de risco. Alguns parlamentares chegaram a classificar a decisão como excessivamente rígida, enquanto outros pediram cautela e respeito às avaliações técnicas dos profissionais de saúde envolvidos.
Por outro lado, interlocutores do STF destacam que a decisão segue critérios objetivos, baseados nos relatórios médicos apresentados até o momento. Segundo essa visão, não cabe ao Judiciário substituir a avaliação clínica inicial sem a apresentação de elementos concretos que indiquem agravamento do quadro. A determinação para que a defesa especifique quais exames deseja realizar foi interpretada como uma abertura para reavaliar a situação, caso haja fundamentos técnicos consistentes.
O caso ocorre em meio a um contexto jurídico delicado para o ex-presidente. Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a posse e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele já estava preso na Superintendência da PF por descumprimento de medidas cautelares quando a condenação transitou em julgado, passando a cumprir a pena definitiva em 25 de novembro do ano passado.
No fim de 2025, Bolsonaro chegou a ser internado no Hospital DF Star para procedimentos cirúrgicos relacionados a hérnias e para tratar crises persistentes de soluços. Após receber alta, retornou ao regime fechado na PF. Desde então, sua condição de saúde tem sido acompanhada com atenção, tanto pela equipe médica quanto por autoridades judiciais.
Com a decisão desta terça-feira, Bolsonaro permanece sob observação médica na Superintendência da Polícia Federal. A expectativa agora gira em torno da juntada do laudo oficial aos autos e da manifestação da defesa sobre os exames considerados necessários. Dependendo das conclusões médicas e da evolução do quadro clínico, o STF poderá reavaliar a necessidade de novas medidas.
Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre as condições de custódia de presos com histórico de saúde complexo e mantém o estado de saúde do ex-presidente no centro das atenções do cenário político nacional.
