A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta terça-feira (6) que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) sofreu uma queda durante a madrugada enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Segundo o relato, Bolsonaro teria passado por uma crise enquanto dormia, caído no interior da cela e batido a cabeça em um móvel. O episódio, de acordo com Michelle, só foi percebido horas depois, no momento em que agentes foram chamá-lo para o horário de visitas.
A informação foi divulgada inicialmente por Michelle em suas redes sociais, em uma postagem marcada por tom de preocupação. “Meu amor não está bem”, escreveu ela em seu perfil no Instagram, acompanhando a mensagem de pedidos de oração e solidariedade. A publicação rapidamente repercutiu nas redes sociais e em meios políticos, gerando apreensão entre apoiadores do ex-presidente e reacendendo o debate sobre as condições de sua prisão.
Segundo a ex-primeira-dama, o quarto onde Bolsonaro permanece detido fica fechado durante a madrugada, o que teria dificultado a identificação imediata do ocorrido. Assim, ele só recebeu atendimento quando agentes da Polícia Federal entraram na cela pela manhã. Michelle relatou ainda que estava acompanhada de um médico e aguardava informações oficiais do delegado responsável para entender quais foram os primeiros socorros prestados ao ex-presidente logo após a constatação da queda.
Jair Bolsonaro está preso na Superintendência da Polícia Federal desde o dia 22 de novembro. Desde então, seu estado de saúde tem sido motivo constante de atenção, especialmente em razão de problemas médicos recorrentes que se agravaram nos últimos anos. No dia 24 de dezembro, ele chegou a ser internado no Hospital DF Star, em Brasília, onde passou por novos procedimentos médicos para corrigir um quadro de hérnia inguinal e tentar amenizar crises persistentes de soluços, condição que já havia provocado internações anteriores. Bolsonaro retornou à custódia da Polícia Federal no dia 1º de janeiro.`
Após a divulgação do episódio da queda, novas informações começaram a circular ao longo do dia. Fontes médicas confirmaram que Bolsonaro foi levado a um hospital para a realização de exames complementares, com o objetivo de avaliar possíveis consequências do impacto na cabeça. Posteriormente, médicos informaram que ele teria sofrido um traumatismo cranioencefálico leve, permanecendo sob observação clínica, sem indícios iniciais de maior gravidade.
O caso reacendeu críticas de aliados políticos, que questionam as condições de custódia do ex-presidente. Parlamentares próximos a Bolsonaro defendem que, diante de seu histórico médico e da idade avançada, ele deveria cumprir eventual pena ou medida cautelar em regime domiciliar, com acompanhamento médico adequado. Para esses aliados, o episódio da queda seria mais uma evidência de que a prisão representa riscos à integridade física do ex-chefe do Executivo.
Por outro lado, órgãos oficiais ainda não divulgaram uma nota detalhada sobre as circunstâncias do ocorrido, limitando-se a confirmar que o detento recebeu atendimento médico e que sua situação clínica está sendo monitorada. A Polícia Federal mantém a posição de que segue todos os protocolos de segurança e assistência previstos em lei para presos sob sua custódia, inclusive no que diz respeito ao acesso a atendimento de saúde.
A repercussão do caso também teve forte impacto político. Em meio a um cenário já marcado por polarização, a notícia da queda de Bolsonaro intensificou debates sobre a atuação do Judiciário, as decisões relacionadas à sua prisão e o clima institucional do país. Nas redes sociais, apoiadores organizaram correntes de mensagens pedindo orações e manifestações públicas em favor do ex-presidente, enquanto críticos adotaram postura mais cautelosa, defendendo a apuração técnica dos fatos.
Especialistas em direito penal ouvidos por analistas destacam que a legislação brasileira prevê cuidados especiais com presos que apresentem problemas de saúde comprovados, mas ressaltam que qualquer mudança no regime de custódia depende de laudos médicos oficiais e de decisão judicial fundamentada. Assim, o episódio da queda, por si só, não implicaria automaticamente uma alteração nas condições da prisão, embora possa influenciar futuras avaliações.
Enquanto isso, Michelle Bolsonaro segue utilizando suas redes sociais para atualizar apoiadores sobre o estado de saúde do marido. Em mensagens posteriores, ela agradeceu as manifestações de apoio e reforçou que confia em Deus e nos médicos que acompanham o caso. O episódio adiciona mais um capítulo à já conturbada situação política e jurídica envolvendo o ex-presidente, cujo estado de saúde passa a ser novamente um elemento central no debate público.
A expectativa agora é pela divulgação de boletins médicos oficiais mais detalhados e por eventuais posicionamentos da Justiça sobre possíveis desdobramentos do caso. Até lá, a situação de Jair Bolsonaro permanece sob observação, tanto no aspecto clínico quanto no cenário político nacional.
