Primeiro vão destruir, depois vão devolver com a narrativa de humanidade

O que temos assistido nos últimos dias não pode mais ser tratado como mera coincidência jurídica ou como o simples “cumprimento da lei”. Trata-se, cada vez mais claramente, de uma tentativa deliberada de destruição total da figura política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Não apenas no campo eleitoral, mas também no plano humano, físico e moral.


Bolsonaro passou recentemente por um procedimento cirúrgico delicado. Qualquer pessoa minimamente informada — e, sobretudo, qualquer Estado que se diga democrático e civilizado — sabe que o período pós-operatório exige cuidados especiais: acompanhamento médico, ambiente controlado, presença familiar e redução de estresse. Em situações semelhantes, inclusive envolvendo condenados definitivos, a prisão domiciliar é não apenas comum, mas recomendada por critérios humanitários elementares.


No entanto, quando se trata de Jair Bolsonaro, esses critérios parecem simplesmente não existir.


Para o ministro Alexandre de Moraes, nada é suficiente. A condição clínica, o histórico médico, os riscos evidentes à saúde e até mesmo a comoção internacional são tratados como irrelevantes. A mensagem transmitida é cristalina: não importa o estado físico do ex-presidente, a punição precisa ser exemplar, dura e, acima de tudo, simbólica.


O cenário que se desenha é perturbador. Bolsonaro, recém-operado, afastado de sua família, submetido a um ambiente prisional incompatível com sua condição de saúde e, ao que tudo indica, sem garantias mínimas de acompanhamento adequado. Não se trata mais de Justiça; trata-se de submissão total. Um recado não apenas ao indivíduo Jair Bolsonaro, mas a qualquer liderança que ouse desafiar o sistema vigente.


É impossível ignorar o componente político dessa decisão. Bolsonaro não é um cidadão comum. Ele é o maior líder popular da direita brasileira nas últimas décadas, alguém que ainda mobiliza milhões de pessoas, mesmo fora do poder. E é justamente por isso que o sistema não se dá por satisfeito com medidas parciais. A prisão domiciliar, ainda que restritiva, manteria Bolsonaro vivo politicamente. Permitiria comunicação, articulação, presença simbólica. E isso, ao que tudo indica, é inaceitável para aqueles que desejam vê-lo completamente fora do jogo.


O objetivo não parece ser apenas puni-lo, mas apagá-lo. Isolá-lo. Desgastá-lo física e psicologicamente até que deixe de representar qualquer ameaça eleitoral, moral ou simbólica. É a lógica da aniquilação política travestida de legalidade.


Quando um Estado passa a tratar adversários políticos como inimigos a serem eliminados — ainda que de forma “institucional” — algo muito grave está acontecendo. O Direito deixa de ser um instrumento de equilíbrio e passa a ser uma arma. E quando isso ocorre, ninguém está realmente seguro.


Hoje é Bolsonaro. Amanhã pode ser qualquer outro que se oponha à narrativa dominante.


A insistência em negar a prisão domiciliar a um ex-presidente em estado pós-cirúrgico não fortalece a Justiça brasileira; pelo contrário, a expõe. Revela um sistema que perdeu a sensibilidade, a proporcionalidade e, sobretudo, o compromisso com princípios básicos de humanidade.


O que o sistema quer é simples e brutal: Jair Bolsonaro 100% fora do jogo. Fora da política, fora do debate público, fora da história em construção. E, se necessário, fora das condições mínimas de dignidade.


Eles só vão parar quando isso acontecer. E o silêncio diante disso não é neutralidade — é cumplicidade.

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