Moraes tira sigilo da delação que todos querem ver

Brasília, 09 de junho de 2024 - Em uma decisão que promete novos desdobramentos no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a transferência do ex-policial militar Ronnie Lessa para o presídio de Tremembé, em São Paulo. Atualmente, Lessa está preso em um presídio federal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A decisão foi tomada após um pedido da defesa do ex-policial, que alegou benefícios a que ele tem direito por colaborar com as investigações.


Além da transferência, Moraes determinou a retirada do sigilo de dois anexos da delação premiada de Lessa, que é réu confesso pela execução da vereadora e de seu motorista, ocorrida em 2018. Essa delação tem sido aguardada com grande expectativa, uma vez que Lessa apontou os irmãos Brazão como os mandantes do crime.


Em seus depoimentos, Lessa incriminou diretamente Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, e Chiquinho Brazão, deputado federal pelo União-RJ. Segundo o delator, os irmãos teriam atuado como mandantes do homicídio de Marielle Franco, em uma trama que abalou o cenário político e social do país.


Domingos Brazão já vinha sendo investigado e, juntamente com seu irmão Chiquinho, foi alvo de um grande cerco judicial que culminou na prisão preventiva de ambos em março deste ano. Na mesma ocasião, o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, também foi detido. A delação de Lessa, revelada aos poucos, justificou essas prisões e trouxe à tona detalhes estarrecedores sobre o envolvimento de figuras de destaque no crime.


A decisão de Alexandre de Moraes de liberar novos trechos da delação de Lessa é vista como um passo crucial para o avanço das investigações. Os dois novos anexos prometem esclarecer ainda mais a participação dos irmãos Brazão no planejamento e na execução do assassinato de Marielle Franco. Fontes próximas ao caso indicam que esses documentos contêm informações detalhadas sobre reuniões, motivações e a cadeia de comando que levou ao trágico desfecho em 2018.


A transferência de Ronnie Lessa para o presídio de Tremembé também tem grande importância no contexto das investigações. O presídio é conhecido por abrigar presos de alta periculosidade e envolvidos em crimes de grande repercussão. A defesa de Lessa argumentou que o ex-policial corria riscos no presídio de Campo Grande e que a transferência era necessária para garantir sua segurança, principalmente após ele ter se tornado delator.


A repercussão da decisão de Moraes foi imediata. Organizações de direitos humanos e movimentos sociais, que desde 2018 acompanham o caso de perto, expressaram apoio à liberação dos anexos da delação, na esperança de que mais envolvidos sejam responsabilizados e que a justiça seja finalmente alcançada para Marielle e Anderson. A sociedade civil tem se mobilizado para manter a pressão sobre as autoridades, exigindo transparência e rigor nas investigações.


A família de Marielle Franco, que tem se mantido firme na busca por justiça, recebeu a notícia com cautela. Em nota, manifestaram a esperança de que a revelação completa da delação de Lessa traga à tona toda a verdade e que todos os culpados sejam devidamente punidos. A expectativa é que, com as novas informações, a trama por trás do assassinato da vereadora seja totalmente desvendada, dando um passo significativo para sanar a sensação de impunidade que ainda paira sobre o caso.


Enquanto isso, a defesa dos irmãos Brazão nega veementemente qualquer envolvimento no crime e afirma que as acusações são infundadas. Os advogados dos acusados prometem contestar as revelações de Lessa e alegam que ele estaria buscando benefícios pessoais com a delação.


A decisão de Alexandre de Moraes não apenas marca um novo capítulo nas investigações, mas também reafirma o compromisso do STF com a transparência e a busca pela verdade. A expectativa é que, com a liberação dos novos anexos, mais peças do quebra-cabeça sejam colocadas em seu devido lugar, aproximando-se da resolução completa de um dos casos mais emblemáticos e trágicos da história recente do Brasil.

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