CCJ aprova parecer pela cassação de Carla Zambelli e decisão agora segue para o plenário da Câmara
A tarde desta quarta-feira (10) marcou mais um capítulo tenso no cenário político brasileiro. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o relatório do deputado Cláudio Cajado, que recomendou a cassação do mandato da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). A votação, cercada de expectativa, expôs novamente as divisões profundas entre os blocos políticos da Casa e desencadeou forte reação da oposição conservadora.
A decisão ocorre em um momento crítico, enquanto Zambelli permanece na Itália, em condição de isolamento e considerada por aliados como “exilada”. A parlamentar enfrenta acusações que, segundo seus defensores, foram construídas “à base de narrativas” e não encontram respaldo técnico suficiente para justificar sua expulsão do Congresso.
Votação apertada e clima de tensão
O resultado foi apertado: 32 votos contra o parecer técnico que inocentava Zambelli, e apenas 27 votos a favor do relator, que defendia a manutenção de seu mandato. A diferença de apenas cinco votos mostrou um colegiado dividido e um processo que, desde o início, tem sido alvo de intensa disputa política.
Com a aprovação do relatório de Cajado na CCJ, o caso agora segue para o plenário da Câmara, onde será necessário o apoio de pelo menos 257 deputados para que a cassação seja confirmada. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou que levará o tema ao plenário, segundo fontes internas e declarações públicas.
Reação imediata da oposição
Uma das primeiras figuras políticas a se manifestar foi a deputada Carolina de Toni (PL-SC), que usou suas redes sociais para denunciar o que classificou como um “retrocesso” institucional. Em sua postagem no X (antigo Twitter), Carol afirmou:
“O Parlamento hoje deu meio passo à frente e dois completos para trás. Aprovamos um texto que, apesar de não ser o ideal, dá início ao restabelecimento da justiça no país em relação aos presos políticos. Mas, horas depois, a CCJ aprovou a cassação do mandato de Carla Zambelli, ignorando o parecer técnico do relator que atestava sua inocência.”
A parlamentar destacou ainda a situação atual de Zambelli na Itália, classificando-a como vítima de perseguição:
“Não se trata apenas de um mandato, trata-se de uma brasileira que hoje se encontra isolada, exilada e presa na Itália, vítima de narrativas. Minha solidariedade à Carla neste momento. Continuaremos lutando pelo fim das perseguições.”
As palavras de De Toni refletem o clima de indignação na bancada conservadora, para quem o processo contra Zambelli representa mais um episódio de suposta instrumentalização política de órgãos internos da Câmara.
Divisão interna e acusações de injustiça
A votação da CCJ não foi apenas técnica; foi profundamente política. Os 32 parlamentares que votaram contra o parecer que inocentava Zambelli formam majoritariamente um bloco alinhado com partidos de centro e esquerda, que desde o início manifestaram desconfiança sobre a conduta da deputada em investigações recentes.
Já os 27 deputados que apoiaram o relator argumentam que não há base jurídica sólida para cassação e que o processo estaria marcado por “viés político” e pela necessidade de demonstrar rigidez contra opositores ideológicos.
O relator Cláudio Cajado, reconhecido por posições equilibradas, apresentou um parecer considerado técnico e detalhado, apontando ausência de elementos que justificassem a cassação. Sua derrota na CCJ gerou surpresa em alguns setores, que acreditavam que seu texto teria apoio mínimo suficiente para sustentar a defesa de Zambelli.
Carla Zambelli: símbolo de polarização
Nos últimos anos, a deputada se tornou uma das figuras mais emblemáticas da direita bolsonarista, frequentemente envolvida em embates diretos com adversários políticos e com o Judiciário. Seu estilo combativo a tornou popular entre seus apoiadores, mas também a transformou em alvo constante de controvérsias.
Atualmente, Zambelli está na Itália, e aliados afirmam que sua condição é de “prisão e exílio”. Seus críticos, por outro lado, sustentam que seus atos políticos e jurídicos justificam uma resposta institucional dura.
A situação de Zambelli tornou-se um dos maiores símbolos da polarização que domina a política brasileira pós-2022, dividindo profundamente a opinião pública.
O que esperar a partir de agora
Com o avanço da cassação para o plenário, o embate deve se intensificar. Líderes partidários já articulam votos, e a tendência é que o tema gere debates acalorados nas próximas sessões. A direita promete fazer resistência e denunciar o que considera perseguição política; a esquerda e parte do centro argumentam que a Câmara precisa dar uma resposta firme às condutas que consideram irregulares.
Caso a cassação seja aprovada, Zambelli perderá o mandato e ficará inelegível. Caso seja rejeitada, seu grupo político poderá interpretar o resultado como uma vitória simbólica contra aquilo que chamam de “cerco institucional”.
Independentemente do desfecho, o caso evidencia novamente o quanto o Parlamento se tornou palco das disputas nacionais mais profundas — e como cada movimento tem potencial para redefinir o cenário político nos próximos meses.
