Venezuela ordena prisão de envolvidos na captura de Maduro

 

O cenário político da Venezuela sofreu uma reviravolta histórica após a prisão do ditador Nicolás Maduro em uma operação das forças especiais dos Estados Unidos, realizada na madrugada do último sábado (3). O episódio, que teve repercussão internacional imediata, levou o atual governo venezuelano a decretar a busca e prisão de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao que classificou como um “ataque armado dos Estados Unidos” contra a soberania nacional. O decreto entrou em vigor no próprio sábado e foi publicado na íntegra nesta segunda-feira (5).


Segundo informações oficiais, Maduro foi capturado em território venezuelano durante uma ação relâmpago conduzida por forças norte-americanas e transferido para Nova Iorque, onde permanece preso sob custódia da Justiça dos Estados Unidos. A operação, mantida sob sigilo até sua execução, teria contado com monitoramento prévio de inteligência e apoio logístico internacional, o que elevou ainda mais a tensão diplomática na região.


No domingo (4), um dia após a prisão, as Forças Armadas da Venezuela anunciaram o reconhecimento da vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina do país. A medida buscou garantir a continuidade administrativa e evitar um vácuo de poder em meio à crise. No mesmo dia, Delcy divulgou uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na qual pediu diálogo, o fim das hostilidades e a construção de uma “agenda de colaboração” entre os dois países, sinalizando uma tentativa de reduzir o isolamento internacional da Venezuela.


Apesar do tom conciliador adotado pela presidente interina, o governo venezuelano endureceu internamente. O decreto publicado nesta segunda-feira determina a abertura de investigações contra civis, militares e autoridades que tenham colaborado direta ou indiretamente com a captura de Maduro. A ordem inclui prisões preventivas, bloqueio de bens e suspensão de direitos políticos dos investigados, segundo fontes ligadas ao Ministério da Defesa venezuelano.


Enquanto isso, nos Estados Unidos, Nicolás Maduro começou a enfrentar formalmente a Justiça americana. Sua primeira audiência ocorreu nesta segunda-feira (5), no Tribunal Federal do Distrito Sul de Nova Iorque, uma das cortes mais importantes do país. A sessão foi presidida pelo juiz federal Alvin K. Hellerstein, de 92 anos, magistrado experiente que atua como juiz sênior desde 2011 e que foi indicado ao cargo em 1998 pelo então presidente Bill Clinton.


Hellerstein é conhecido por sua atuação em casos de grande relevância nacional. Ele conduziu processos ligados aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e julgou diversas ações envolvendo terrorismo, segurança nacional e crimes internacionais. Mais recentemente, presidiu o caso em que o ex-general venezuelano Hugo Carvajal Barrios se declarou culpado por acusações de narcoterrorismo e tráfico de drogas, um precedente que chama atenção no contexto do processo contra Maduro.


Além disso, o juiz também analisou pedidos do ex-presidente Donald Trump para transferir uma condenação criminal em Manhattan para a Justiça federal, tema que ainda segue em avaliação. A presença de Hellerstein no caso reforça a percepção de que o julgamento de Maduro será tratado como prioridade pelas autoridades americanas.


Durante a audiência, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram formalmente informados das acusações apresentadas pelo Departamento de Justiça dos EUA. Entre os crimes imputados ao casal estão conspiração para narcoterrorismo, importação de cocaína e associação com organizações criminosas internacionais. As acusações sustentam que Maduro teria utilizado estruturas do Estado venezuelano para facilitar o tráfico de drogas em larga escala com destino aos Estados Unidos.


A defesa ainda não se pronunciou publicamente, mas a expectativa, segundo a imprensa americana, é que Maduro e Cilia Flores se declarem inocentes. Ambos devem permanecer presos até o julgamento, sem previsão de liberdade provisória. Uma segunda audiência já foi marcada para o mês de março, e especialistas apontam que o processo pode se estender por mais de um ano, dada a complexidade das acusações e o volume de provas envolvidas.


A prisão de Maduro provocou reações diversas no cenário internacional. Enquanto aliados históricos do regime venezuelano condenaram a ação dos EUA, governos ocidentais passaram a discutir possíveis medidas de apoio humanitário ao povo venezuelano. No Brasil, autoridades afirmaram que o país estará à disposição para auxiliar cidadãos venezuelanos afetados pela instabilidade política.


O desfecho do caso ainda é incerto, mas analistas avaliam que a captura e o julgamento de Nicolás Maduro nos Estados Unidos representam um dos eventos mais impactantes da história recente da América Latina, com potencial para redefinir o futuro político da Venezuela e o equilíbrio de forças na região.

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