Trump manda mensagem ao povo iraniano: “A ajuda está a caminho”

TEERÃ/WASHINGTON – Em um dos movimentos mais agressivos de sua política externa em 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais nesta terça-feira (13) para enviar um recado direto ao povo iraniano e ao regime de Teerã. Em meio a uma escalada de violência sem precedentes na República Islâmica, Trump anunciou o cancelamento de todos os canais diplomáticos com as autoridades iranianas e incentivou abertamente os manifestantes a tomarem o controle das instituições do país.

A declaração surge no momento em que o Irã enfrenta sua crise mais profunda desde a Revolução de 1979. A mensagem, publicada na plataforma Truth Social, foi recebida como um divisor de águas na postura de Washington frente aos protestos que sacodem cidades iranianas há semanas. "Patriotas iranianos, CONTINUEM A PROTESTAR — TOMEM SUAS INSTITUIÇÕES!!!", escreveu o presidente americano. Em um tom de aviso severo aos oficiais iranianos, ele acrescentou: "Guarde os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um grande preço".

O ponto mais impactante da mensagem, no entanto, foi a promessa de apoio direto. Trump finalizou o post com a frase: "AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!! [Make Iran Great Again]". O uso do acrônimo MIGA, uma adaptação de seu famoso slogan de campanha, sinaliza uma mudança de estratégia, sugerindo que os EUA podem estar prontos para oferecer suporte material ou logístico aos grupos de oposição.

Ruptura Diplomática e Caos Interno

A decisão de Trump de cancelar todas as reuniões com autoridades iranianas "até que essa matança sem sentido de manifestantes acabe" contradiz diretamente os relatos da última segunda-feira (12), quando Teerã afirmava que canais de comunicação ainda estavam operantes. No último domingo (11), Trump já havia sinalizado que poderia se reunir com representantes iranianos, mas a brutalidade da repressão nas ruas de Teerã parece ter fechado essa janela de diálogo.

Enquanto a retórica diplomática se incendeia, a realidade no solo iraniano é de massacre. Um membro do próprio regime iraniano confirmou que aproximadamente 2.000 manifestantes morreram desde o início desta nova onda de levantes em 28 de dezembro. Contudo, organizações internacionais de direitos humanos pintam um cenário ainda mais sombrio: estimativas indicam que o número de mortos já ultrapassa 6.000 pessoas, com milhares de prisões e relatos de tortura em centros de detenção.

Para conter o fluxo de informações e a organização dos "patriotas", como Trump os chamou, o regime de Teerã impôs um bloqueio total da internet que já dura mais de 108 horas, segundo a ONG Netblocks. Esse "apagão digital" tem dificultado a verificação exata das vítimas, mas não impediu que vídeos de confrontos e repressão chegassem à comunidade internacional por meios alternativos.

Reações Internacionais e a Ira de Khamenei

A resposta do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, não tardou. Em uma postagem carregada de simbolismo religioso e político, a conta oficial de Khamenei compartilhou uma imagem de Donald Trump representado como um sarcófago destroçado. A legenda era direta: "Ele também será derrubado". Teerã continua a sustentar a narrativa de que os protestos não são legítimos, mas sim uma insurgência instigada por Israel e pelos Estados Unidos para desestabilizar a nação.

A tensão regional atingiu níveis de alerta máximo. O Qatar, que frequentemente atua como mediador entre o Ocidente e o Oriente Médio, emitiu um comunicado urgente alertando para as "consequências catastróficas" de um confronto militar direto entre EUA e Irã. O governo catariano teme que a retórica de "ajuda a caminho" de Trump possa ser o prelúdio de uma intervenção militar ou de ataques cirúrgicos contra alvos do regime.

Economia e Revolta no Bazar

Diferente de protestos anteriores, o movimento atual possui uma base econômica sólida e desesperada. A desvalorização brutal do rial e a inflação galopante destruíram o poder de compra da classe média e dos trabalhadores. O apoio aos protestos chegou a um setor crucial: os comerciantes do Bazar de Teerã. Historicamente conhecidos como os "Bazaaris", este grupo foi o pilar financeiro da Revolução de 1979 que levou os aiatolás ao poder. O fato de agora estarem fechando suas portas em greve e se opondo abertamente ao regime indica que o governo perdeu sua base histórica de sustentação.

O Alto-Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, apelou por um cessar imediato da violência. "Esse ciclo de violência não pode continuar. O povo iraniano e suas demandas por justiça, igualdade e equidade precisam ser ouvidos", afirmou Turk.

Com o mundo observando e a internet iraniana nas sombras, a promessa de Trump de que a "ajuda está a caminho" coloca o tabuleiro geopolítico em uma posição de xeque-xeque. O que resta saber é se o apoio americano será diplomático, cibernético ou, como muitos temem e outros esperam, militar.

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